Thursday, July 19, 2012
Thursday, March 29, 2012
Poesia Matemática
Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
(Millôr Fernandes)
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
(Millôr Fernandes)
Wednesday, April 27, 2011
A Remark You Made.

It was one of those days when it's a minute away from snowing
and there's this electricity in the air,
you can almost hear it.
And this bag was just dancing with me.
Like a little kid begging me to play with it.
For fifteen minutes.
And that's the day I realized that there was this entire life behind things,
And this incredibly benevolent force,
that wanted me to know that there is no reason to be afraid,
ever.
Video's a poor excuse, I know,
but it helps me remember.
I need to remember.
Sometimes there's so much beauty in the world
I feel like I can't take it,
And my heart is just going to cave in.
Friday, April 08, 2011
Thursday, April 07, 2011
Ninguém é insubstituível.
Quando o homem indispensável franze a testa
Oscilam dois impérios mundiais.
Quando o homem indispensável morre
O mundo olha em volta como uma mãe que não tem leite para o filho
Se o homem indispensável regressasse uma semana depois da sua morte
Em todo o império não se acharia já para ele nem um lugar de porteiro.
(Bertolt Brecht)
Oscilam dois impérios mundiais.
Quando o homem indispensável morre
O mundo olha em volta como uma mãe que não tem leite para o filho
Se o homem indispensável regressasse uma semana depois da sua morte
Em todo o império não se acharia já para ele nem um lugar de porteiro.
(Bertolt Brecht)
Friday, January 07, 2011
Wednesday, December 22, 2010
Thee.
O Telegraph [de 2 de/01/2010] gritava: Traditional English spellings could be killed by Internet, says language expert. Só porque David Crystal disse que, daqui a umas décadas, o conjunto de convenções da actual ortografia inglesa será substituído por um novo conjunto de convenções, com origem na Internet, nos SMS, etc.
Há para chorar e para agradecer nos dicionários SMS e Net de língua inglesa. A expressão da indiferença melhorou. Começou antes da Internet com o perene whatever. Na Net diz-se meh e significa «isso não me interessa». É um encolher de ombros.
Até no OK houve progressos. Digitar só K mostra que é um acordo mole, tipo «se-tu-o-dizes». É um whatever de uma letra só e reproduz o OK pouco convencido de quem diz só kay em vez de oh kay. É bonito porque a letra K pronuncia-se kay. O OK fica para quem está mesmo de acordo. E, quando alguém está a insistir connosco, há o KK, que corresponde ao Okay, Okay! É, em duas letras, o «pronto, pronto; cala-te lá com isso!»
Há acrónimos bons, como SSDD (same stuff, different day), LIC (like I care) e FICCL (frankly, I couldn"t care less).
O contrário da indiferença é o amor. Gosto de 143 e de 831. 143 dito em voz alta é I for three. Tirando o último R, dá I for thee. Thee é a forma antiga e poética de you. Logo, 143 quer dizer I love you. 831 é melhor ainda. Significa: 8 caracteres, 3 palavras, 1 significado. Ou seja, a frase I love you.
(Miguel Esteves Cardoso)
Friday, November 26, 2010
Saturday, October 09, 2010
Harvey
This is the big exit to claim my good fortune.
It's through a place called home
where there is one line drawn
by the whores hustle and the hustlers whore.
This mess we're in was about you.
Said something like kamikaze or maybe this is love.
Keep seeing horses in my dreams
but I know that we float on this wicked tongue of mine.
It's through a place called home
where there is one line drawn
by the whores hustle and the hustlers whore.
This mess we're in was about you.
Said something like kamikaze or maybe this is love.
Keep seeing horses in my dreams
but I know that we float on this wicked tongue of mine.
Tuesday, September 21, 2010
Meados de Setembro
Um incêndio no mar
que transborda a terra,
que translada o fumo,
e morre, como os Távoras,
no Pátio dos Bichos.
que transborda a terra,
que translada o fumo,
e morre, como os Távoras,
no Pátio dos Bichos.
Friday, May 28, 2010
Disse que não tinha o melhor dos corpos para bailarina?

Não tinha tinha pernas altas como uma bailarina clássica deve ter.
As coxinhas das portuguesas... Mas na contemporânea isso já não faz sentido. Só devia ter cuidado e não engordar.
[Recebe um SMS. "Deixe-me só ver." Faz um silêncio, ri-se sozinha e diz: "Estou apaixonada, desculpe lá. Ai, o calor. Faz um mês no dia 29.
[Recebe um SMS. "Deixe-me só ver." Faz um silêncio, ri-se sozinha e diz: "Estou apaixonada, desculpe lá. Ai, o calor. Faz um mês no dia 29.
Foi no dia mundial da dança."]
Tuesday, March 16, 2010
Baby
Devendra Banhart ~ Baby from Ron Winter on Vimeo.
Baby, I finally know what I'm going after.
I'm learning to let in all the laughter.
(Holy moly) You're so funny, you crack me up, you crack me up.
Look out for dreams that keep returnin',
'Cause magic ain't no hand me down yearnin'.
You gotta feel it, gotta want it,
The way I want you babe.
Travelin' by choo choo train,
We know where, we just don't know when,
Like some everlasting onion pulled by love.
Never heard a better bad joke said out loud,
You flip flop, and I wild out.
(Can you believe it?) I can't believe it, but it's true.
You're giving eighty billion years of giggling,
A whole new world to live in,
But this one's real, this one's real, this one's real.
Like a bow tied kangaroo,
You be one and I'll be one too.
Play it goofy or play it cool,
We're on our minds.
Everything that happened,
You know it don't mean a thing to us,
'Cause so much is gonna happen because...
You showed me a sunset overflowin'.
Who cares where it's goin', as long as you're next to me.
(Devendra Banhart)
Friday, February 26, 2010
Belas são as marcas dos teus dedos
a autenticarem crimes amorosos.
Requiem for a Dream, Darren Aronofsky, 2000
Hable con Ella, Pedro Almodóvar, 2002
Irréversible, Gaspar Noé, 2002
Big Fish, Tim Burton, 2003
Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry, 2004
El Laberinto del Fauno, Guillermo del Toro, 2006
300, Zack Snyder, 2006
Death Proof, Quentin Tarantino, 2007
The Bucket List, Rob Reiner, 2007
District 9, Neill Blomkamp, 2009
MúSICA
PJ Harvey, Stories from the City, Stories from the Sea, 2000
India Arie, Acoustic Soul, 2001
Rufus Wainwright, Poses, 2001
Ojos de Brujo, Barí, 2002
Maria Rita, Maria Rita, 2003
Lhasa De Sela, The Living Road, 2003
Diane Cluck, Oh Vanille, 2003
Amy Winehouse, Frank, 2003
Marcelo D2, Acústico MTV, 2004
Andrew Bird, The Mysterious Production Of Eggs, 2005
Camille, Le Fil, 2005
Strapping Young Lad, Alien, 2005
Beyoncé, B'Day, 2006
Buraka Som Sistema, From Buraka to the World, 2006
Tinariwen, Aman Iman: Water Is Life, 2007
MIA, Kala, 2007
The Kills, Midnight Boom, 2008
Mother Mother, O My Heart, 2008
Bon Iver, For Emma, Forever Ago, 2008
Macacos do Chinês, Mixtape do C$%&, 2009
CONCERTOS
Grátis, Ricardo Pais, TNSJ, Porto, 5 de Maio de 2003
Beck, Sudoeste, Zambujeira do Mar, 10 de Agosto de 2003
P.J. Harvey, Paredes de Coura, Praia Fluvial do Tabuão, 19 de Agosto de 2003
Yeah Yeah Yeahs, Paredes de Coura, Praia Fluvial do Tabuão, 19 de Agosto de 2003
Ojos de Brujo, Teatro Aveirense, Aveiro, 22 de Novembro de 2003
Lhasa de Sela, Jardins do Palácio de Cristal, Porto, 10 de Julho de 2004
Mão Morta, Colinas Bar, Branca, 12 de Novembro de 2004
Kimmo Pohjonen, TAGV, Coimbra, 1 de Dezembro de 2004
Keith Jarrett Trio (J. DeJohnette + G. Peacock), CCB, Lisboa, 12 de Novembro de 2006
Nouvelle Vague, Le Grand Rex, Paris, 25 de Abril de 2007
Andrew Bird, Theatro Circo de Braga, Braga, 1 de Junho de 2007
Kings of Convenience, Casa da Música, Porto, 22 de Julho de 2007
Estilhaços (A. L. Canibal + A. Rafael), Teatro da Vilarinha, Porto, 19 de Janeiro de 2008
Portishead, Coliseu do Porto, Porto, 26 de Março de 2008
The Kills, Casa da Música, Porto, 12 de Abril de 2008
Rufus Wainwright, Casa das Artes, Famalicão, 28 de Junho de 2008
Madonna, Parque da Bela Vista, Lisboa, 14 de Setembro de 2008
dEUS, Teatro Sá da Bandeira, Porto, 21 de Outubro de 2008
Peaches, Paredes de Coura, Praia Fluvial do Tabuão, 31 de Julho de 2009
Nine Inch Nails, Paredes de Coura, 31 de Julho de 2009
TEATRO
Madame, TNSJ, Porto, 23 de Março de 2000
Castro, TNSJ, Porto, 7 de Março de 2003
Um Hamlet a Mais, Teatro Rivoli, Porto, 24 de Julho 2003
Gretchen, TeCA, Porto, 21 de Novembro de 2003
Ensaio Sobre a Cegueira, TNSJ, Porto, 6 de Maio de 2004
UBUs, TNSJ, Porto, 16 de Setembro de 2005
Cabelo Branco é Saudade, TNSJ, Porto, 8 de Julho de 2005
O Tio Vânia, TNSJ, Porto, 10 de Novembro de 2005
D. João, de Moliére, TNSJ, Porto, 16 de Fevereiro de 2006
O Saque, TNSJ, Porto, 14 de Novembro de 2006
Quarto Interior, Circulando, TeCA, Porto, 11 de Maio de 2006
Turismo Infinito, TNSJ, Porto, 7 de Dezembro de 2007
O Mercador de Veneza, TNSJ, Porto, 7 de Novembro de 2008
Platónov, TNSJ, Porto, 17 de Julho de 2008
DANÇA
Jump-up-and-kiss-me (Olga Roriz), TeCA, Porto, 17 de Janeiro de 2004
...
Sunday, January 10, 2010
Friday, January 08, 2010
Friday, December 04, 2009
Tuesday, November 03, 2009
Totalmente Demais

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n'roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
(Caetano Veloso)
Monday, October 26, 2009
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